Paisagens do Nordeste: Pedra do Reino

Pedra do Reino








Cavalgada à Pedra do Reino


Cavalgada à Pedra do Reino



Distante 474 quilômetros do Recife, São José do Belmonte, no Sertão pernambucano, é sede da Pedra Bonita, atualmente Pedra do Reino, na Serra do Catolé. O foi palco, em 1938, do "movimento sebastianista" liderado pelo autoproclamado rei João Antônio dos Santos. A história se transformou em obra da literatura em 1971, ano em que o escritor Ariano Suassuna, publicou o "Romance d'A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta".

No local, duas formações rochosas medem, respectivamente, 30 e 33 metros de altura cada. Esses penedos são um dos principais atrativos em meio a um santuário ao ar livre, idealizado pelo escritor paraibano. São 16 esculturas de santos e personagens do episódio sebastianista e do romance de Suassuna, dispostos em círculo e em representação ao sagrado e o profano. A obra "d'A Pedra do Reino" também já foi tema de minissérie da TV Globo. As 16 esculturas feitas por Arnaldo Barbosa.

No centro de São José do Belmonte, na Praça Pires Ribeiro, há ainda o Memorial da Pedra do Reino, acervo onde estão arquivados livros, quadros, documentos e registros fotográficos do movimento que ocorreu no município.

Para resgatar as manifestações culturais do período sebastianista, a Associação Cultural Pedra do Reino, a qual Suassuna também era integrante, criou a "Cavalgada à Pedra do Reino". Uma vez a cada ano, cavaleiros do município e da região se reúnem em frente à Igreja de São José, local em que são abençoados durante missa, realizada no início da manhã de cada último domingo de maio. Após a cerimônia religiosa, os participantes seguem com destino à Serra do Catolé. O escritor paraibano também já participou do evento.

Movimento sebastianista

O desaparecimento misterioso do rei de Portugal Dom Sebastião, no século 16, durante a batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, gerou muita expectativa nas pessoas de que ele "havia sido arrebatado, encantado por feitiço, e que um dia retornaria para trazer a paz e a prosperidade ao seu povo". Movido por essa crença, no século 19, no sertão de Pernambuco, João Antônio dos Santos disse que teria sonhado com o rei português encantado entre os dois rochedos da Serra do Catolé.

Nessa época, a população de várias regiões sertanejas do interior do estado foi ao local para esperar o suposto “desencantamento do monarca”, ciclo em que o fanatismo tomou conta das pessoas motivado pela influência de João Antônio, que deu origem a uma comunidade de fiéis seguidores. Ele afirmava que estava por vir um reino de igualdade, justiça, liberdade e prosperidade. Acreditava-se ainda que para o rei retornar, as duas formações rochosas teriam que ser “lavadas com sangue”, crença que culminou em conflitos e mortes.

Cidade: São José do Belmonte
Estado: Pernambuco

Foto: Divulgação/Blog Associação Cultural Pedra do Reino
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